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4. Rastreamento
O rastreamento visa a detecção precoce do DM2, ainda em sua fase assintomática, permitindo que intervenções oportunas reduzam o risco de complicações e contribuam para a melhora da qualidade de vida dos indivíduos. Considerando que o DM2 surge de forma insidiosa e assintomática, a adoção de estratégias sistemáticas de rastreamento configura-se como uma importante medida de saúde pública[18].
Recomenda-se o rastreamento em todos os indivíduos a partir dos 35 anos de idade, bem como em indivíduos de qualquer idade caso apresentem sobrepeso e obesidade e um ou mais fatores de risco elencados no Quadro 1. Além disso, é indicada a realização do rastreamento em todas as gestantes a partir da 24ª semana de gestação, bem como indivíduos vivendo com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV)/ Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), com fibrose cística ou submetidas a transplante de órgãos[1].
| Fatores de risco |
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Fonte: Baseado em Blonde et al. (2022) [9], Linhas de Cuidado - Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) no adulto (2020)[19], e Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (2024)[2].
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Sugere-se a utilização do questionário Finnish Diabetes Risk Score (FINDRISC) como ferramenta de estratificação de risco para o desenvolvimento de DM2[2,19]. O escore FINDRISC atribui uma pontuação máxima de 26 pontos, distribuída com base em fatores como idade, IMC, circunferência abdominal, hábitos alimentares, nível de atividade física, histórico familiar e pressão arterial[20]. Os indivíduos são classificados em cinco faixas de risco: baixo (< 7 pontos), levemente elevado (7–11 pontos), moderado (12–14 pontos), alto (15–20 pontos) e muito alto (> 20 pontos)[19]. O escore FINDRISC pode ser encontrado na Linha de Cuidado do Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) no adulto[19].
O rastreamento do DM2 deve ser conduzido pela equipe multiprofissional responsável pelo acompanhamento longitudinal do indivíduo, uma vez que em caso positivo são imprescindíveis confirmação diagnóstica, tratamento e acompanhamento. O método preconizado para o rastreamento é a dosagem da glicemia em jejum, podendo incluir a hemoglobina glicada (HbA1c) conforme disponibilidade local[2]. A glicemia de jejum deve ser realizada após um período de 8 horas a 12 horas sem ingestão calórica, sendo valores inferiores a 100 mg/dL considerados normais[21]. Em caso de necessidade de confirmação diagnóstica, deve ser realizado glicemia de jejum, HbA1c ou teste de tolerância à glicose oral (TTGO)[22–24]. O TTGO consiste na administração de 75 g de glicose por via oral com duas medidas de glicose plasmática nos tempos 0 e 120 minutos após a sobrecarga de glicose. A International Diabetes Federation sugeriu a realização do TTGO na prática clínica com 1 hora de duração[10]. Contudo, este teste não é utilizado como método preferencial, devido ao tempo e desconforto para sua realização, sendo reservado para situações específicas, como na presença de fibrose cística. Já a HbA1c, embora amplamente utilizada e recomendada como o método preferencial na maioria das situações, é uma técnica onerosa e que não considera a variabilidade individual de glicação proteica, o que pode comprometer sua utilização em determinados contextos[23]..
Para indivíduos com glicemia de jejum dentro dos parâmetros de normalidade, o rastreamento para DM2 deve ser realizado a cada três anos[2,25]. Por outro lado, aqueles com pré- diabetes – glicemia de jejum entre 101 mg/dL e 125 mg/dL – devem receber orientação sobre mudanças nos modos de vida e ser reavaliados anualmente [2]. Além disso, indivíduos com ≥ 3 fatores de risco e que não apresentaram alterações nos exames laboratoriais devem ser submetidos à reavaliação anual[2].