PharmData / PCDT
PCDT-LEC PDF original Portaria

Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas

Diabetes melito tipo 2

Linha de cuidado

Anexo à Portaria SCTIE/MS nº 13/2026, de , publicada em . Ver publicação.

Prévia documental · candidata sem aceite clínico humano

4. Rastreamento

O rastreamento visa a detecção precoce do DM2, ainda em sua fase assintomática, permitindo que intervenções oportunas reduzam o risco de complicações e contribuam para a melhora da qualidade de vida dos indivíduos. Considerando que o DM2 surge de forma insidiosa e assintomática, a adoção de estratégias sistemáticas de rastreamento configura-se como uma importante medida de saúde pública[18].

Recomenda-se o rastreamento em todos os indivíduos a partir dos 35 anos de idade, bem como em indivíduos de qualquer idade caso apresentem sobrepeso e obesidade e um ou mais fatores de risco elencados no Quadro 1. Além disso, é indicada a realização do rastreamento em todas as gestantes a partir da 24ª semana de gestação, bem como indivíduos vivendo com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV)/ Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), com fibrose cística ou submetidas a transplante de órgãos[1].

Quadro 1. Fatores de risco que indicam rastreamento do diabete melito tipo 2 em indivíduos assintomáticos e não gestantes.
Fatores de risco
  • Parente de primeiro grau com diabetes
  • Histórico de doença cardiovascular
  • Estilo de vida sedentário
  • Dislipidemia (HDL-colesterol < 35 mg/dL ou triglicerídeos > 250 mg/dL)
  • Síndrome do Ovário Policístico
  • Acantose nigricans
  • Doença hepática esteatótica
  • Hipertensão Arterial Sistêmica
  • Pré-diabetes em exame prévio
  • Histórico de diabete melito gestacional ou parto de um bebê com peso > 4 kg
  • Terapia antipsicótica
  • Apneia obstrutiva do sono
  • Privação crônica do sono
  • Ocupação laboral em turno noturno
  • Finnish Diabetes Risk Score (FINDRISC) alto ou muito alto

Fonte: Baseado em Blonde et al. (2022) [9], Linhas de Cuidado - Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) no adulto (2020)[19], e Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (2024)[2].

Conferir o quadro na página original
Recorte original de Q1, página 4.
Recorte do quadro. Conferir no PDF original

Sugere-se a utilização do questionário Finnish Diabetes Risk Score (FINDRISC) como ferramenta de estratificação de risco para o desenvolvimento de DM2[2,19]. O escore FINDRISC atribui uma pontuação máxima de 26 pontos, distribuída com base em fatores como idade, IMC, circunferência abdominal, hábitos alimentares, nível de atividade física, histórico familiar e pressão arterial[20]. Os indivíduos são classificados em cinco faixas de risco: baixo (< 7 pontos), levemente elevado (7–11 pontos), moderado (12–14 pontos), alto (15–20 pontos) e muito alto (> 20 pontos)[19]. O escore FINDRISC pode ser encontrado na Linha de Cuidado do Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) no adulto[19].

O rastreamento do DM2 deve ser conduzido pela equipe multiprofissional responsável pelo acompanhamento longitudinal do indivíduo, uma vez que em caso positivo são imprescindíveis confirmação diagnóstica, tratamento e acompanhamento. O método preconizado para o rastreamento é a dosagem da glicemia em jejum, podendo incluir a hemoglobina glicada (HbA1c) conforme disponibilidade local[2]. A glicemia de jejum deve ser realizada após um período de 8 horas a 12 horas sem ingestão calórica, sendo valores inferiores a 100 mg/dL considerados normais[21]. Em caso de necessidade de confirmação diagnóstica, deve ser realizado glicemia de jejum, HbA1c ou teste de tolerância à glicose oral (TTGO)[22–24]. O TTGO consiste na administração de 75 g de glicose por via oral com duas medidas de glicose plasmática nos tempos 0 e 120 minutos após a sobrecarga de glicose. A International Diabetes Federation sugeriu a realização do TTGO na prática clínica com 1 hora de duração[10]. Contudo, este teste não é utilizado como método preferencial, devido ao tempo e desconforto para sua realização, sendo reservado para situações específicas, como na presença de fibrose cística. Já a HbA1c, embora amplamente utilizada e recomendada como o método preferencial na maioria das situações, é uma técnica onerosa e que não considera a variabilidade individual de glicação proteica, o que pode comprometer sua utilização em determinados contextos[23]..

Para indivíduos com glicemia de jejum dentro dos parâmetros de normalidade, o rastreamento para DM2 deve ser realizado a cada três anos[2,25]. Por outro lado, aqueles com pré- diabetes – glicemia de jejum entre 101 mg/dL e 125 mg/dL – devem receber orientação sobre mudanças nos modos de vida e ser reavaliados anualmente [2]. Além disso, indivíduos com ≥ 3 fatores de risco e que não apresentaram alterações nos exames laboratoriais devem ser submetidos à reavaliação anual[2].